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É restaurante ou é bar?
Cada vez mais é difícil discernir um do outro, quando se come em São Paulo.
Há bares que capricham no cardápio e se sofisticam. E restaurantes que conservam um jeitão de boteco para garantir a informalidade e aparentar uma certa “sinceridade”. Porque brasileiro acha que sinceridade e rusticidade são sinônimos, ou quase.
Assim é o Galinheiro Grill, quase um clássico do restaurante-boteco paulistano. Logo na entrada, as grelhas, de onde saem frangos e mais frangos, além de lingüiças, picanhas e outras carnes. Mas sobretudo frangos.
Com o tempo e o sucesso, o Galinheiro foi crescendo e, agora, além das casas, tem uma espécie de galpão nos fundos, que ampliou o espaço e, claro, o faturamento.
O serviço é um tantinho caótico e você pode ficar esquecido por muito tempo. Coisa de bar: se não chamar o garçom – e chamar alto – ele ignora você.
Coisa de bar também é o som, em alto volume, de alguns dos ambientes.
E as mesinhas, uma pérola do desconforto botequeiro, que não deixam cruzar as pernas, nem esticá-las.
Mas a comida é honesta. Já foi melhor, antes de o Galinheiro ter sido atingido pela mania paulistana de passar aquele infausto tempero avermelhado no frango (aliás, alguém me explica o que é aquilo?), que o colore e dá um toque picante-sem-graça e um aroma que encobre o da carne e o da grelha.
Não sei quem inventou essa mistura colorida de temperos. E é até bom que eu nunca descubra porque isso poderia fazer aflorarem meus instintos homicidas...
Apesar dele, o frango resiste e mantém algum sabor, numa época em que os frangos perderam completamente o gosto, vítimas dos hormônios, da pressa dos criadores e, claro, da ganância.
Para acompanhá-lo, polenta frita em cubinhos. Gostosa, ainda que, na última visita, estivesse um pouco mais encharcada do que deveria.
Só tome um cuidado com a polenta: peça sem queijo. Caso contrário, ela chegará à mesa coberta de um parmesão sem graça, mas salgado para burro.
E, talvez, uma porção de mandioca frita. Sequinha, crocante, saborosa, macia. Uma delícia. E uma salada completa, bem servida e agradável. Ou meia salada de palmito, que chegaram tenros e delicados, cobertos por rúcula em tirinhas.
Esqueça a sobremesa porque não há nenhuma opção que valha a pena: vá comer doce em outro lugar. Ignore o café, também, que o pó é ruim e, aparentemente, ninguém sabe tirá-lo bem. Mas – e essa ressalva é importante – não esqueça de tomar o suco de lima da Pérsia, que é delicioso.
No final, uma refeição com um frango, polenta, mandioca e salada de palmito, acompanhada por suco, sairá por 70 reais. Justo, o preço. Só poderiam esquecer o terrível tempero avermelhado...
Galinheiro Grill. Rua Inácio Pereira da Rocha, 231, Vila Madalena, São Paulo, tel. 3816-3208
Escrito por alhos, passas & maçãs às 15h24
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