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Hamburger é bom. E o que tem de melhor no hamburger é que ele pode ser bom em muitos lugares, das mais refinadas hamburguerias às lanchonetes menos pretensiosas.
Por um desses acasos que acontecem na vida, comi dois numa semana. O primeiro foi no Hobby, em Perdizes. O segundo, no St. Louis, no Jardim Paulista. Diferentes em quase tudo, do lugar à concepção e ao sabor. Ambos deliciosos.
O Hobby é uma lanchonete antiga, daquelas em que você senta ao balcão ou em mesinhas descuidadas, já quase na rua, com jeitão de boteco. Não tem chef, tem chapeiro. E tem um senhor de cabelos brancos, que está lá há quase trinta anos e hoje parece ser gerente ou algo assim. Nunca conversei com ele, mas é difícil imaginar o Hobby sem ele.
Pedimos o clássico: cheese-salada (que, no cardápio plastificado, é escrito, obviamente, com X). Para acompanhar, água tônica. Mas poderia ser o delicioso e imenso milk-shake (de chocolate, é óbvio, porque ninguém aqui é louco de tomar milk-shake de morango), que dá para dois e até mais. Eles batem e deixam o pote ali, do seu lado, para você completar o copo quando quiser. Ai, ai.
Não preciso descrever o cheese-salada. É aquele mesmo que você já comeu muitas vezes em lanchonetes e, quando era adolescente, conseguia até comer mais do que um. Só que é ótimo. O queijo derrete, a carne é macia e levemente tostada por fora, tem bastante alface, duas fatias de tomate e maionese... Bom, vamos deixar a maionese para lá. Não é ruim, não; é excessiva. Mas é simples resolver: você pede para o chapeiro colocar pouca maionese e pode ficar tranqüilo porque só virá um pouco mais do que devia.
E então come com a mão, se besunta, sente-se exagerado. Daí vem a conta: 20 e poucos reais, duas pessoas. E você vai embora, com o gosto do hamburger na boca.
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Escrito por alhos, passas & maçãs às 09h04
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Já o St. Louis é outra história, com o mesmo final feliz. O lugar é bacaninha, imita uma lanchonete americana anos-1950. Fake, claro, mas bem feito e agradável. As garçonetes são um pouco jovens e um pouco bonitas demais para serem simpáticas, mas cumprem seu papel. A decoração traz ícones da cultura de massa dos primeiros tempos: garrafas de Coca-Cola antigas, fotos de Marlon Brando, fotos e máquinas americanas. Um tempo em que hamburger sugeria trangressão.
O hamburger é de chef, Luiz Cintra, que anda por ali, senta-se às mesas com amigos e reforça o tom calculadamente informal do lugar. O cardápio tem muitas opções (estamos aqui falando só de hamburger e só de hamburger falaremos; mas há também hot dogs e barbecues – aquele nome que os americanos dão para o que todo mundo chama de churrasco). O hamburger com molho chili é apimentado na linha Texas e gostoso. O Blue (por causa do queijo usado) é salgado (numa das visitas, terrível e insuportavelmente salgado), forte, naquele estilo devasta-paladar. O Cham é ótimo: traz cogumelos na manteiga e um creme de queijo um pouco mais pesado do que poderia ser, mas equilibrado. Uma saladinha cole-slaw agradável margeia o hamburger e você tem que pedir, claro, fritas. Lembrará, então, como uma porção de batatas fritas pode ser um passaporte para o céu (no bom sentido): crocantes por fora, muitíssimo macias por dentro, saborosas, sequinhas, um sonho.
Há uma lista pequena, mas interessante de sobremesas. Mas só come quem consegue superar o prato salgado e eu nunca consegui. A conta é mais do que o dobro da do Hobby: 60 e poucos para as mesmas duas pessoas. Mas você também sai de lá com a sensação de que comeu bem e gastou pouco, muito pouco.
É, hamburger é bom, muito bom.
Hobby. Rua Cardoso de Almeida, 1393, Perdizes, São Paulo, tel. 3862-2772
St. Louis. Rua Batataes, 242, Jardim Paulista, São Paulo, tel. 3051 3435
Escrito por alhos, passas & maçãs às 09h03
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